ricardo carvalho + joana vilhena
arquitectos

 
rcjv arquitectos

ricardo carvalho

joana vilhena

projectos

publicações

links


2010

Voids: Encontros Múltiplos

Pragmatismo Cálido

Está aí alguém?

Nem Falsa Tradição Nem Modernismo Factício

2009

A Vida é um Sopro

Arquitectos Críticos

David Adjaye conversa com Ricardo Carvalho

Arquitectura: Portugal Fora de Portugal

Acupunctura Urbana e Reabilitação

2008

Sobre a Baixa e a Praça do Comércio

Repensar Le Corbusier

Ruy Athouguia visto por Ricardo Carvalho

Qual o Lugar do Arquitecto na Arquitectura?

Toda a Arquitectura é Pública

A Arquitectura como Recurso Turístico

Peter Zumthor visto por Ricardo Carvalho

Poitiers também já é o TAP

A Arquitectura de Peter Zumthor

A Tragédia como uma Oportunidade

Ironia ou uma petição que se enganou no objecto?

Pensar a Arquitectura desde o Pós-Guerra

Fazer Cidade com o Museu do Oriente

Le Corbusier: Arquitectura ou Revolução

Manhattanismo

Oscar Niemeyer 100 Obras 100 Fotos

2007

Los Angeles, as Regras da Atracção

Ilegal

Fundação Iberê Camargo

Niemeyer, um encontro no Rio

Viagem como Conhecimento

Da Cidade que Falece

Dizer a paisagem que somos nós

2006

Imitación y Experiencia

A Fundação Gulbenkian como Processo

O Pavilhão está Vazio

De Todas as Casas, a Casa

Da Biblioteca para a Cidade

Comércio e Lazer: uma digressão errática

Habitar Portugal, mas Esporadicamente

As Casas como Marcos Geodésicos

Geografias da Permanência

Ode Marítima em Aço e Vidro

Entre o Centro Comercial e o Museu

2005

Paisagem e Arquitectura

A Arquitectura como uma Litania

Uma Floresta de Famílias, Nomes e Lugares

Actuar na Periferia: de dentro para fora

Montanha Mágica com Graffiti

Uma Visita ao Panorama

Aires Mateus: A Arquitectura como o Eterno Retorno

2004

Vítor Figueiredo: o Eclipse

Lisboa, Roterdão e Algumas Torres

Precisão Suíça: do Pitoresco e do Sublime

Palais de Tokyo, o Museu Situacionista

Carrilho da Graça: A Obra ao Branco

Habitar a Cidade Histórica

2003

Portugal in Vitro, Embaixadas em Brasília e Berlim

Chicago, Cidade Boomerang

Duas Manhãs nos Olivais

A Casa Elementar/ The Simple House

A Casa que se Bifurca

A Arte da Oscilação

Habitar. Percurso em Via Rápida

9 Silos Experimentais para Lisboa

2002

Carrilho da Graça conversa com Ricardo Carvalho

Castelo Rodrigo, Arquitectura da Traição

Le Città di Sabari

Casa com Capela

Construir o Incorpóreo

Local, Ibérico, Global

Nove para o Ground Zero, Zero para Nova Iorque

Hong Kong Juke Box

2001

Palácio da Pena: Antes e Depois em Simultâneo

O Regresso ao Largo

Aveiro Cidade Aberta

Portuguese Fan Tutti

2000

O Edifício Extrovertido

Otto Wagner Arquitecto

Adolf Loos e a Caixa das Ferramentas



mostrar últimos textos
 
Ironia ou uma petição que se enganou no objecto?


"Petição online - Largo do Rato - Crimes urbanísticos à solta em Portugal." Aí está online uma petição contra a construção de um novo edifício de habitação entre a Sinagoga e o Largo do Rato em Lisboa. Sem conhecer o objecto de interesse destas pessoas poderíamos pensar que se trata de um novo edifício de Seguros ou da Federação Portuguesa de Futebol, ou apenas de escritórios como esses que se constroem todos os anos e que são absorvidos pelo quotidiano sem direito a um qualquer blog. Porque é que este projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus teve honras de opinião de alguns vereadores e de centenas de bloggers?

Como Arquitecto não posso deixar de pensar na possibilidade de os cidadãos participarem nos temas da sua cidade (bairro ou condomínio). Contudo participar não pode significar manipular ou deixar-se manipular. Não será ingénuo supor que estamos todos preparados para discutir, para além do "gosto" ou "não gosto", o conjunto de obras de arquitectura ou engenharia que todos os dias arrancam e que não são garante de uma transformação positiva? Não acontece como todos sabemos. Não é possível nem desejável. É necessário delegar e responsabilizar quem tem essa tarefa.

E no Largo do Rato, o que é que aconteceu? Ter existido um projecto aprovado pela Câmara Municipal que convoca outro tipo de relações urbanas que não habitualmente aquelas que (infelizmente) os lisboetas viram ser propostas por arquitectos e aprovadas pelos promotores. No projecto de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus já não existe qualquer referência estilística ou forma reconhecível na tradição do pior pós-modernismo como acontece com os edifícios vizinhos. Por outro lado não é anódino - essa não é uma qualidade em si, será apenas uma circunstância. A Arquitectura não se discute aí. Discute-se nas qualidades de escala, tipológica e materiais, que em síntese produzem um significado cultural. Este significado será percebido nesta e numa geração futura como cultura mas também como "beleza". A Arquitectura é um conhecimento transmissível (que até é ensinado em algumas universidades) mas é cada vez mais difícil que possa acontecer e ser partilhado por todos.

A ter que propor uma interpretação do projecto - e a sua defesa - diria que é um projecto que reequilibra o Largo do Rato que, como sabemos, já possui um magnífico edifício pétreo concluído em 1834 - a Mãe d'Água da autoria do engenheiro-arquitecto pombalino Carlos Mardel. O projecto objecto da polémica possui essa mesma força compacta e trabalha com a densidade. A densidade é um dos temas da cidade histórica e, já o sabemos hoje, da cidade contemporânea. Mais do que protagonizar uma ruptura, o edifício permite uma leitura actual dessas permanências históricas. Essas permanências que vereadores e bloggers vêem ameaçadas e que no seu tempo de origem possuíam a mesma matriz e eventual radicalidade.

Texto escrito por Ricardo Carvalho para o jornal Público, suplemento Ipsilon, 25 Julho 2008.